quinta-feira, 17 de novembro de 2016

aviso: sobre um erro em meu blog

Olá amigos que passam por aqui!

Infelizmente tive um probleminha com as fotos do blog e a maioria delas sumiu. Achei uma porção de fotos hospedadas em um ábum do picasa e achei que poderia excluir, afinal, nunca quis que estas fotos ficassem em nenhum outro lugar além do blog. Mas parece que o picasa era uma plataforma de armazenamento do bloguer (é esse o termo correto?). Bem, não sei quanto tempo levarei para recolocá-las todas aqui mas estou fazendo isso. Enquanto isso, desculpem o transtorno das receitas sem foto.

Talvez em breve eu migre este blog para o wordpress. Parece que ele é bem melhor. Só não sei como ficam as pessoas que já tem este endereço, se elas serão direcionadas. Caso alguém possua esta informação e possa opinar sobre isso, se o wordpress é melhor e tal, eu fico muito agradecida que me deixe um comentário. 

Obrigada e até breve!

sábado, 12 de novembro de 2016

aproveite seu pão: farofa de pão e pudim de pão com laranja e rum

O desperdício é uma coisa que nos acostumamos fácil, jogar fora comida que poderia ser reciclada tornou-se uma prática muito comum e que, às vezes, passa despercebida. A correria do dia a dia nem sempre ajuda a melhorar essa situação. E, se você não trabalha na área, não cozinha em casa, nem se interessa por agricultura e alimentação, dificilmente você vai sentir dor no coração ao jogar fora algum alimento em bom estado. 
No meu caso, eu cresci numa família em que tudo era sempre aproveitado nos mínimos detalhes e, meus pais, que passaram por maus bocados e até dificuldades pós guerra, lá em Portugal, onde não se conseguia mantimentos com fartura, sempre tiveram uma relação de muito respeito com o alimento. Outra coisa que eles sabiam, era o suor necessário pra plantar e o tempo que a natureza demorava pra retribuir esse suor em forma de alimento. 
Assim, uma das coisas que sempre esteve presente comigo na vida e agora na faculdade é pensar o alimento como algo sagrado. E aí aconteceu que uma colega da faculdade estava afim de fazer o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) sobre Gastronomia Sustentável. E eu adorei, aceitei prontamente. Estamos desenvolvendo um trabalho que engloba receitas com aproveitamento total dos ingredientes, receitas com ingredientes normalmente descartados ou PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais). Essa última sigla me levou a comprar um livro (na verdade é uma bíblia) sobre o assunto e a participar de uma oficina ministrada pela Neide Rigo (essa mulher é incrível) e fiquei ainda mais apaixonada, mais plantadora de ervas e mais louca pra experimentar cada vez mais matos esquisitos. 
Mas o que eu vim dizer é sobre o pão. E, sobretudo, se você faz o seu pão, você não vai querer desperdiçar nem um pouco dele. Mas se o seu pão já tem uns dois dias e se tornou meio durinho, e você não está gostando de comer ele assim, então você pode fazer uma farofa ou um pudim de pão, ou colocar na almôndega, ou criar uma receita com ele.

Vou dizer mais ou menos como fiz, mas sem receita exata, porque você vai fazer a sua de acordo com o tanto de pão que sobrou na sua casa.

Farofa de pão

Corte o pão em cubos, torre até virar uma torrada, em forninho elétrico ou a gás. Espere esfriar e coloque em um saco plástico grosso. Amasse com um rolo de macarrão ou dê batidinhas, de modo que o pão seja triturado. Não se preocupe, você pode deixar uns pedaços maiores e outros menores, deixar irregular, isso fica interessante. Reserve essa "farinha rústica de pão". 

Em seguida refogue numa frigideira cebola, verduras da sua geladeira, sementes como de girassol ou abóbora e temperos como cheiro verde, cominho, páprica ou outros de sua preferência. Você pode refogar com azeite ou manteiga. A ideia aqui é usar o que você tem em casa pra poder aproveitar tudo junto com esse pão. 
Junte o pão triturado e misture bem por um minuto com fogo ligado, sempre mexendo pra não queimar. Desligue e sirva imediatamente.

Na minha farofa dessa foto, usei meu pão de fermentação natural, mais sementes de abóbora tostadas que sobraram dos nossos testes de pratos do TCC, mais cominho, folhas de bertalha coração que ganhei de uma vizinha (uma PANC), flores de capuchinha e buva, outra PANC que nasce sozinha nos vasos aqui de casa e cuja folha tem gosto picante. Temperei com azeite, pimenta do reino e sal rosa do himalaia. Ficou bem bom.


 Folhas e bulbilhos da bertalha coração



Pudim de pão com laranja e rum
Pegue o pão amanhecido, corte em cubos e cubra com leite para amolecer. Enquanto isso, faça um caramelo com 5 colheres de sopa de açúcar e deixe que ele derreta totalmente, mexendo sempre pra não queimar. Acrescente suco de uma laranja ao caramelo e deixe que ferva até ficar numa consistência de calda levemente espessa. Coloque em uma forma de buraco e deixe descansar até esfriar e ficar endurecida.  
Enquanto isso, o pão já deve estar totalmente amolecido e bem molhado. Caso vá usar um pão mais duro como o italiano, ou uma broa, bata rapidamente com um mixer para desmanchar um pouco o pão. Em seguida, junte um ovo inteiro, açúcar a gosto, raspas de laranja, um pouco de rum e ameixa seca sem caroço em cubinhos. Misture bem e leve ao forno na fôrma caramelizada em banho maria, forno médio, até que fique dourado. 
Aqui eu usei duas metades de dois pães de fermentação natural que, somadas deviam ser equivalentes a um pão italiano pequeno. A consistência do pudim antes de ir ao forno é quase líquida. 




Pudim de pão não só é sustentável, como é confortante, é um doce antigo que certeza que lembra a vó de muita gente. É um doce que nem precisa ser muito doce, nem tem coisas artificiais, por isso também é comida de verdade.