terça-feira, 28 de março de 2017

novidades

Olá amigos,

Depois de todo esse desânimo do post anterior, volto aqui pra dizer que eu estou com um novo projeto. Acabei terminando o estágio nesse lugar que eu estava e eles precisaram reduzir o quadro de pessoas, sendo assim, fiquei pensando em aproveitar para fazer alguma coisa mais alternativa e não entrar logo noutra cozinha com horário fixo e salário baixíssimo. 

Foi aí que surgiu a chance de sublocar uma cozinha dentro de uma galeria aqui perto de casa, na região da Praça da Árvore, onde já funciona um bar de umas amigas nossas. Agora essa pequena galeria vai ser o bar Nostalgia Pub e também a minha cozinha de comidinhas vegetarianas, que resolvi chamar de quitutes & quitutes. 

A ideia é abrir de terça a sábado, das 16h em diante. Servir café coado na hora e porções de pães e pastas artesanais, sopa, hambúrguer vegetariano, bolos recheados e mais algumas surpresinhas de acordo com os ingredientes que tiver. 

Também vou continuar aceitando encomendas de bolos e pães. E lá será o ponto comercial para retirada das encomendas. 

Bom, é isso aí, bora correr que tem bastante coisa pra arrumar pra essa estréia, que vai ser dia 1/4. O endereço é Av. Jabaquara, nº 101 

Aqui ficam os meus novos endereços na web:



abraços animados e até breve!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

textão sobre a vida na cozinha

Tirando uns freelas e uns bolos que fiz, tem um mês e pouco que estou trabalhando, de fato, em uma cozinha. Alguns que me conhecem ou me acompanham, sabem que eu tenho 36 anos e, até agosto do ano passado, tinha um emprego confortável e estável há cerca de dez anos. Aconteceu que resolvi estudar gastronomia e que resolvi não querer mais aquele emprego que já não me fazia feliz (apesar do salário ser mais que justo, de poder emendar todos os feriados e viajar, de ter tempo pra ler um monte de artigos e estudar, de ser do lado de casa, enfim...). 
O meu primeiro dia num restaurante, com várias pessoas trabalhando, e uma porção de regras, não foi das melhores estreias. Acho que quase esfaqueei o braço de uma colega, andando com a faca na mão de maneira perigosa e passei o dia tão atrapalhada que parecia nunca ter fritado um ovo. Jurei que não iam me querer ver nunca mais. 
Quando eu comecei a faculdade, li um texto que nunca saiu da minha cabeça, e agora estou tirando a prova real pra ver se o que estava escrito ali era verdade. Claro que eu me cortei muito na primeira semana e ainda estou me cortando (e depois espremendo limão e colocando sal nos cortes). Também queimei a língua e uns dedos. Minhas pernas, nos primeiros dias, pareciam que iam paralisar de tanta dor. Na primeira semana já estreei trabalhando mais de 50 horas em pé, belezura hein? Lavei tanta salada como nunca em toda a minha vida e me molhei toda de água suja tentando desentupir um ralo de pia horroroso, bem mais de uma vez. Lavei louça pra cacete, mais salada, mais salada, mais salada. O restaurante é um vegano em São Paulo, que serve pratos veganos, sem glúten e algumas coisas raw (crú). Uma proposta bacana no quesito aprendizado com certeza (em muitos aspectos aliás).
No inicio eu estava trabalhando de terça a domingo, mais de oito horas por dia, quando chegava em casa, a noite, estava pegando potes de comida na geladeira e comendo gelado mesmo, fazendo carinho num cachorro com uma mão, numa gata com o pé, desejando poder tomar banho sentada, tentando manter alguma dignidade com muito esforço. Sorte minha ter a Carla, que logo percebeu que a coisa estava feia, e começou a me fazer alguns mimos como comidinhas gostosas e aconchegantes, que ela advinha quando estou precisando.
Teve um domingo que fui trabalhar chorando durante o caminho, imediatamente pensei: o que fiz com a minha vida? Surtei pra valer. A Carla que sempre me apoiou muito, ficou desolada. Mas eu decidi que deveria continuar tentando. Pois bem, eu havia lido esse texto e os professores também avisaram, a faixa salarial da categoria é super baixa, não tem nada de glamouroso e é muito cansativo. Eu pensei por meses e, ainda assim, decidi que queria tentar, então lá continuei.
Bom, depois de uns dias trabalhando lá, surgiu a chance de ficar trabalhando numa outra cozinha deles, onde é feita a produção de toda a confeitaria do restaurante e mais umas coisas como coxinhas e quiches. Nesse local, o trabalho é um pouco mais tranquilo, por ser mais organizado e com menos pressão, mas, não menos trabalhoso. São coisas delicadas e demoradas de fazer, também dá pra ficar bem cansada. Mas tem uma coisa boa: é só de segunda à sexta. E assim estou lá, ainda me adaptando e tentando superar várias coisas, um pouco mais animada.
Semana passada li um post de um jovem chef, num grupo de empregos, na área de gastronomia, que dizia algo assim: "estou saindo desse grupo por causa dos salários ridículos oferecidos aqui, enquanto não nos recusarmos a trabalhar por tão pouco, nunca vamos melhorar o salário da nossa categoria". Logo depois disso, que ficou martelando na minha cabeça, veio meu primeiro pagamento. E ele já está quase acabado em poucos dias. De novo fiquei desanimada. Realmente é preciso muito amor pra poder trabalhar numa cozinha, pra oferecer alimento carregado de energias boas pras pessoas, porque alimentar é algo que vai além de usar técnicas perfeitas. Claro que eu estou tentando dar o meu melhor a cada dia, mas há dias em que eu sinto que não tenho muito a oferecer. Não posso dizer que estou feliz, mas também não sei se foi uma escolha errada. Sei que não está nada fácil. Além da questão salarial, como em todos os lugares, você tem que ser sociável com as pessoas e ter uma certa inteligência emocional, lidar com incoerências e coisas que não concorda e não pode fazer muita coisa pra mudar.
A verdade é que tudo me foi avisado, toda essa mudança foi muito bem pensada. Só não poderia saber mesmo era o que eu ia sentir nessa hora. Você não tem como saber o que vai sentir, só passando pelo perrengue mesmo.
Bom, hora de dormir que a cozinha começa cedo e o busão passa cedo e a vida passa cedo. E hoje não vou colocar receitinha, foi só esse texto confuso, meio mal escrito. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

a vida e o escondidinho de coração de bananeira

Hoje escrevo pra fazer uma daquelas coisas chatas, quase uma retrospectiva. Não sei se é especialmente sobre 2016, mas é sobre um ciclo que parece se encerrar na minha vida para dar inicio à coisas muito novas, experiências que de fato vão mudar um bocado a rotina. 
A faculdade de gastronomia terminou em dezembro e com ela foi possível tirar algumas conclusões. A mais importante delas é que aprendi que continuo quase nada sabendo. Não por que não aprendi nada ou aproveitei mal as aulas, mas sim porque, nesse mundo da cozinha, aprender é uma constante, e a minha jornada ainda está só começando.
Encerrei a faculdade num clima muito feliz e me aproximando mais de pessoas muito especiais cuja amizade espero levar pra vida. Escolhemos para o nosso TCC um tema que tem tudo a ver com o tipo de trabalho que eu quero fazer e foi uma escolha muito feliz. Resolvemos falar sobre gastronomia sustentável e criamos dez receitas com ingredientes que normalmente seriam descartados (coração de bananeira, cascas, rama de cenoura, etc), ignorados (aqui eu falo das PANC - Plantas Alimentícias Não Convencionais) e alguns alimentos em risco de extinção (como a batata doce roxa e a jabuticaba). 
Foi delicioso poder abrir mão de trabalhar e focar em apenas estudar e fazer o TCC com calma nesse último semestre. Meu momento sabático está quase acabando e vai dar lugar a um estágio nos próximos dias e ele vai durar pelo menos dez semanas, depois disso, veremos. 
Dentro de dois dias começo o estágio num restaurante bem bacana com horta, área verde e comida vegana e crudívora. Vou aprender confeitaria vegana (o que está me deixando bem animada) e outras coisas tudo a ver com alimentação consciente, que é um tema que adoro.
Confesso que estou um pouco receosa de me adaptar à vida de restaurante, já que o negócio começa cedo e minha energia costuma estar em alta mesmo, quando chega a noite. Terei que arranjar um tempo pra tomar o café de manhã ou vou acabar matando alguém com o meu mau humor...rs
Acho que esse blog vai ficar abandonado por um tempo, creio que vai ser meio difícil conciliar o estágio com o blog, já que o blog exige cozinhar, fotografar, escrever. Aliás, por falar neste blog, estava arrumando as postagens que perderam suas fotos (estou quase terminando) e notei um abismo de diferença entre as postagens mais antigas e as mais recentes. Tanto porque eu mudei como pessoa e, consequentemente, mudei o jeito de escrever, como porque eu não tinha a menor noção de uma porção de coisas do mundo da cozinha. Sério, é engraçado ver as postagens antigas. E a análise que eu faço é que este blog começou sem nem um pingo de consciência do que era pra ser este blog. Talvez por isso ele seja só mais um blog qualquer largado solto nesse grande universo da blogsfera.
Ah, uma coisa que eu estou pra dizer faz tempo: é sobre as medidas, que tanto aprendemos na faculdade, que devem ser colocadas em gramas, kilos, litros, quando criamos uma receita. Apesar da receita abaixo, continuarei usando as medidas caseiras, como xícaras, colheres, porque penso ser muito mai útil pras pessoas de um modo geral. Como essas receitas são pras pessoas comuns fazerem em casa, penso que nem todo mundo tem balança ou copo medidor pra fazer, então prefiro facilitar, ainda que alguns digam que não fica tão profissional. 
Bom, vamos ao escondidinho de coração de bananeira, ou umbigo da bananeira, ou mangará, ou outros nomes que ele possa ter, que foi uma das dez receitas do nosso TCC:

Ingredientes
300 g de batata 
50 g de parmesão ralado
2 unidades de coração de bananeira
50 g de alho poró
15 ml de azeite
10 ml de shoyu 
15 g de bicarbonato de sódio
sal marinho quanto baste
suco de 2 limões
pimenta do reino moída na hora quanto baste
salsa quanto baste

Modo de fazer
Chips de casca de batata para decoração - Retirar as cascas das batatas e colocá-las no forno, em recipiente untado com azeite e salpicar sal por cima. Assar até que fiquem crocantes e reservar. 
Purê de batata - cozinhar as batatas em água e sal, escorrer bem e passar por espremedor. Temperar com azeite, pimenta, verificar o sal e reservar. 
 Coração de bananeira - descascar o coração até chegar na parte mais mole, o miolo. Cortar em cubos pequenos o miolo e mergulhar em água fervendo. Colocar nessa fervura 1/3 do limão e do bicarbonato e ferver por 2 a 3 minutos, repetindo esse processo três vezes. Em seguida, escorrer bem, espremendo para retirada da água. Em uma panela, suar o alho poró com o azeite e em seguida acrescentar o coração de bananeira, o shoyu, sal, pimenta do reino e por último a salsinha. Montar em ramekins uma camada de coração de bananeira e outra de purê, finalizando com parmesão ralado. Levar ao forno pré aquecido, 200°C, até dourar. Servir com a chips da casca decorando.






Com as amigas de TCC e nossa mesa toda decorada com algumas PANC e com os pratos que escolhemos pra apresentar, entre eles, o escondidinho, que ficou muito muito gostoso.

Aliás, esse recheio do escondidinho, serve pra fazer recheio de coxinha vegetariana também ;)